the sound and the fury

o susto e o medo. depois a catarse.

tempo de resetar. de ver que as coisas estavam não só erradas, mas pior, não estavam.

o susto e o medo. o som, a fúria e o conto do idiota.

reset_

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para vitória, no seu 16º aniversário

chegamos ao mundo todos em um deslumbramento dos sentidos, com luzes, sons e movimentos a nos grudar os narizes curiosos nas janelas da vida que começa.  vamos perdendo isso com os anos e as experiências. não mais olhamos o mundo como espectadores embevecidos, mas como participantes, muitas vezes, entediados e enfadonhos.

existem pessoas [ainda bem!] que mantêm essa habilidade de se surpreender com as coisas do mundo e da vida. que possuem sempre um grito de satisfação ou de repúdio a fatos que não permitimos mais que nos assombrem. que têm os sorrisos mais abertos e as gargalhadas mais altas. que não se importam de tropeçar, cair, arranhar os joelhos no asfalto. que são as primeiras a rir de si mesmas.

os exemplares desse tipo raro estão diariamente a nos lembrar que nem sempre as coisas foram assim, conhecidas, sabidas, processadas. graças a eles, existe criatividade no mundo. graças a eles, existe cor, explosão, som e fúria.

cada um que convive com uma pessoa assim é premiado a todo momento com pérolas de alegria e despreendimento que transformam um dia comum em noite de festa. uma tarde de estudo em passeio na praia. uma noite de tv em tarde de cinema. é essa graça de ser sempre um pouco criança-na-janela que nos faz sorrir por contágio, ao invés de bocejar.

minha para-sempre-criança, amada até meu último fio de cabelo, é claro que és tu que está a cutucar meu eu enfastiado. a apontar para o bizarro no comum que se passa a meu lado. a rir das minhas piadas. a gargalhar do meu jeito sério. e a brincar muito comigo, mesmo que eu agora brinque de longe, a olhar embasbacada o teu jeito luminoso de enfeitiçar a todos.

o teu aniversário é feliz para quem te conhece!

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’[…] eu e a cidade temos uma relação eterna, indissolúvel. sim, pois tudo o que trago dentro de mim está de fato relacionado à cidade e a sua paisagem, remonta a ambas. […] tudo o que trago em mim está à mercê dessa cidade, que é minha origem.’ [thomas bernhard]

o trecho [editado] acima vem de um livro em cuja capa o autor derrama sua relação ambígua com a cidade onde cresceu. é a declaração mais sincera que já li sobre como nos relacionamos com o lugar de onde viemos. um amor cheio de mágoa, como podemos ter com qualquer pessoa importante em nossas vidas. assim, de um modo doce/amargo, a cidade adquire uma persona que faz parte daquela em que nos tornamos. família.

sinto-me assim, em relação à porto alegre. sou capaz de me sentir à vontade em muitos lugares: adoro são paulo, idolatro paris, curto florianópolis e por aí vai. mas amo somente um lugar. amo sua história, suas ruas, seus prédios, seus sonhos e mesmo seus problemas. e são muitos os problemas. e são mais ainda os sonhos.

e, do mesmo modo que escolhemos o dia do aniversário de nossos familiares para homenagens, aqui me encontro lembrando com afeto o aniversário da minha cidade.

parabéns a porto alegre, parabéns a todos nós.

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