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’[…] eu e a cidade temos uma relação eterna, indissolúvel. sim, pois tudo o que trago dentro de mim está de fato relacionado à cidade e a sua paisagem, remonta a ambas. […] tudo o que trago em mim está à mercê dessa cidade, que é minha origem.’ [thomas bernhard]

o trecho [editado] acima vem de um livro em cuja capa o autor derrama sua relação ambígua com a cidade onde cresceu. é a declaração mais sincera que já li sobre como nos relacionamos com o lugar de onde viemos. um amor cheio de mágoa, como podemos ter com qualquer pessoa importante em nossas vidas. assim, de um modo doce/amargo, a cidade adquire uma persona que faz parte daquela em que nos tornamos. família.

sinto-me assim, em relação à porto alegre. sou capaz de me sentir à vontade em muitos lugares: adoro são paulo, idolatro paris, curto florianópolis e por aí vai. mas amo somente um lugar. amo sua história, suas ruas, seus prédios, seus sonhos e mesmo seus problemas. e são muitos os problemas. e são mais ainda os sonhos.

e, do mesmo modo que escolhemos o dia do aniversário de nossos familiares para homenagens, aqui me encontro lembrando com afeto o aniversário da minha cidade.

parabéns a porto alegre, parabéns a todos nós.

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